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sexta-feira, 8 de maio de 2020

Boçoroca

Boçoroca: o motivo pelo qual a erosão pode ser muito perigosa

O que é?

Para termos uma ideia do que se trata esse fenômeno, o termo boçoroca tem sua origem do tupi guarani "yby" (terra) e "sorok" (romper).

Quem viaja pela serra da Mantiqueira e vale do Paraíba, por exemplo, pode observar que existe a presença de fendas e cortes disseminados nas vertentes, cada vez mais frequentes. São elas, as boçorocas.

Elas ameaçam os campos e as áreas povoadas, e rapidamente se ampliam. Constituem feições erosivas, altamente destrutivas.

Esses cortes se instalam em vertentes sobre o manto intempérico, sedimento ou rochas sedimentares pouco consolidados, e podem ter profundidades de decímetros até vários metros e paredes abruptas e fundo plano, com seção transversal em "U".

Seu fundo é coberto por material desagregado, onde aflora água, frequentemente associada a areias movediças ou canais anastomosados (já postamos sobre formações fluviais anastomosados).

exemplo de boçoroca no Mato Grosso do Sul

De onde vêm?

Originam-se de sulcos gerados pela erosão linear. Mas, enquanto os sulcos ou *ravinas são formados pela ação erosiva do escoamento superficial concentrado em linhas, as boçorocas são formadas pela ação da água subterrânea.

A ampliação de sulcos pela erosão superficial forma vales fluviais, em forma de "V", com vertentes inclinadas e fundo estreito.



A partir do momento em que um sulco deixa de evoluir pela erosão fluvial e o afloramento do nível freático inicia o processo de erosão na base das vertentes, instala-se o boçorocamento.

A erosão provocada pelo afloramento de fluxo da água subterrânea tende a **solapar a base das paredes, carreando material em profundidade e formando vazios no interior do solo (tubificação).

O colapso desses vazios instabiliza as vertentes e é responsável pela inclinação abrupta e pelo recuo das paredes de boçorocas.

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*Ravina: acidente geográfico produto de erosão pela ação de córregos e enxurradas.

** verbo solapar: fazer cova/ escavar

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Sistema Fluvial Anastomosado

Tema geral: Sistemas Fluviais


Tema específico: Sistemas fluviais anastomosados


Consistem em um complexo de canais de baixa energia, interconectados, desenvolvidos sobretudo em regiões úmidas e alagadas, e formando várias ilhas alongadas recobertas por vegetação.



Mas que nome estranho é esse... Anastomosados...
Pois é, da palavra "anastomose", na Biologia, comunicação entre dois vasos ou canais quaisquer.

Na Geologia, a anastomose de canais resulta de um excesso de carga de sedimentos que ocorre quando há forte quebra de energia fluvial por redução do gradiente de relevo ou por mudança súbita de fluxo como as chuvas torrenciais de curta duração de regiões áridas, ou, ainda, ao encontrar forças de ondas e marés na foz do rio.

Existem exceções, por isso podem ocorrer em locais áridos, como citado acima.

A baixa declividade dos canais em um sistema fluvial anastomosado, e a sua sinuosidade, provoca frequentemente o seu extravasamento com deposição de siltes e argilas.

As turfeiras, áreas pantanosas e lagoas de inundação, ocupam normalmente mais de dois terços da área de um sistema fluvial anastomosado em terrenos úmidos.

Os rios anastomosados caracterizaram-se pela presença de dois ou mais canais estáveis e ocorrem em regiões de subsidência em relação ao nível base regional.

Rio Kosi no Nepal

O rio Kosi, no Nepal, é um exemplo de formação fluvial anastomosa. Alguns dos seus afluentes nascem no Tibete. É um dos maiores afluentes do rio Ganges, no qual deságua pela margem norte.

Da nascente corre na direção leste, drenando as águas de toda a região. Então, após receber as águas de vários afluentes como os rios Sun Kosi, Arun e Tamur, vira para o sul, seguindo nesta mesma direção e recebendo vários outros afluentes. Após correr cerca de 250 km entra no norte da Índia, ainda rumo ao sul. Então vira-se para o sudeste e assim permanece até se encontrar com as águas do rio Ganges.

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A característica diagnóstica deste sistema fluvial é o contato sub-vertical entre as diferentes fácies, o que torna difícil a sua caracterização em afloramentos e a correlação lateral entre os poços.

O reconhecimento superficial desses depósitos exige uma malha muito densa de soldagens. A Persistência do cenário, aliada à agradação vertical por influência da elevação do nível base regional em relação ao rio, é a responsável pela predominância de depósitos de transbordamento nos rios anastomosados. 

Este blog é destinado a todos os estudantes, profissionais, e entusiastas da Geologia. Aqui haverá informação, curiosidades, conteúdo acadêmico, dicas e notícias.

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